Menos aqui e mais acolá
O blog anda preguiçoso, mas o Tumblr vai firme.
Meu Twitter continua a mesma merda de sempre, porém, com atualizações constantes.
O blog anda preguiçoso, mas o Tumblr vai firme.
Meu Twitter continua a mesma merda de sempre, porém, com atualizações constantes.
Imagino que vendedores possuem sempre algum discurso decorado para utilizar em somente determinadas situações. Então, anseiam pelo dia em que irão expressá-lo com todo o seu amor e fúria como se fosse uma espécie de dever a humanidade. Igual certa vez, em que fui até uma loja de cosméticos atrás de corretivo para olheiras. O que usava anteriormente funcionava muito bem, porém, a textura não me agradava. Eu queria algum produto mais simples de usar e ainda assim, tão bom quanto o anterior. Expliquei minha necessidade para a mulher que me atendera e sem queimar qualquer neurônio, ela me soltou o seguinte: “mas se não passar também na parte superior dos olhos, você não vai conseguir esconder muito bem as suas olheiras”. Esbocei um “como é que é, minha senhora?” enquanto ela me agarrava pelos ombros e lascava corretivo no meu rosto “para me mostrar como é que se fazia”.
- Eu sei de tudo isso, moça. Eu sei usar essa joça. Só quero um corretivo com outro tipo de textura, algo mais líquido, talvez.
- Mas é preciso lembrar que se não passar na parte superior dos olhos, o corretivo não vai disfarçar muito bem as suas olheiras.
Derrotada, fiz a minha usual cara de merda e fui embora como se nada tivesse acontecido.
- Pois então, acho que não vou conseguir a sexta, depois do feriado, livre.
- Que pena.
- Mas se tu for mesmo ficar até segunda, me avisa com antecedência que então peço esse dia pra tirar folga.
- Ah, não, não precisa se preocupar comigo. Tudo bem por mim se tu não conseguir se liberar…
- Quem tá falando de ti? Dane-se tu. Quero um dia livre também.
- Grossa.
Às vezes acho que o “precisar mentir” é uma ação um tanto superestimada. É quase pretencioso, diria, achar que alguém vai cortar os pulsos se souber a verdade (”verdade”, taí outro conceito que pode ser bastante bobo, mas não me prenderei nessa divagação agora…) sobre determinado fato. É mais ou menos como se um cara fosse pego na mentira a respeito de uma traição, por exemplo, mas se deparasse com a apatia da mulher porque, enfim, ela também lhe estava providenciando uns córneos. Chato mesmo, teimo em teorizar, nem é a mentira em si, mas a grande questão: “tá me achando com cara de idiota?”
Hoje, vi um homem desfocado. Ele estava do outro lado da rua e por mais que tentasse não conseguia enxergar seus limites. Ali naquela calçada, foi aquele que entre três outros homens se manteve difuso por cinco minutos completos. Então, percebi que na verdade ele era o único: os outros dois eram ele mesmo apenas com focos mais ajustados. Como estou sóbria desde o ano passado, devo parar de descartar minha visita ao oftalmo.
Existem muitos momentos em que as oportunidades para conseguir mais que oito horas de sono são possíveis: quando se é criança, durante as férias, nos finais de semana, feriados, faltando a compromissos, acometido de doenças que te deixam acamado (ou não necessariamente) e morto. Não é seguro citar a velhice como uma chance a mais para descansar porque você pode ser daqueles velhos que precisam (ou querem) trabalhar incansavelmente até um ataque fulminante ou ser acertado por um caminhão.
Um cara do blog foi convidado a escrever vários livros. E o outro, aquele que escrevia sobre curiosidades em geral, passou para o departamento de roteiros de um certo canal de TV. O menino do podcast foi contratado por uma rádio famosa e o do videocast não descansou enquanto suas ideias não foram para a grade de programação da principal emissora do país. O carinha do Twitter ficou feliz ao ser citado na revista de papel, aquela mesma que contratou o moço que fazia a revista digital que não existe mais.
Dia desses estava no banheiro escovando os dentes quando a torneira fez um ruído que mais parecia um anão gargalhando. Peguei um susto, mas automaticamente racionalizei sobre o som que certa pressão de água faz nos encanamentos. Se fosse lá pela década de 80, depois do choque inicial, eu acharia que todas as torneiras poderiam falar comigo e, com certeza, conversaria com elas e demais objetos da casa até que algum dos meus primos descobrisse e me espancasse por causa disso.